The Best Books I Read in 2021 – Part 1: Brazilian Books

Hello readers!

As per every year, I like writing a post with my top 3 books for each category I read this year, which gives me a chance to look back at all the different genres and books I picked up, highlight the books that really stood out for me and recommend the Very Good Stuff in one post.

This year however I am splitting it in three! I am always unsure how to do categories, and I feel like it would be interesting to create new ones that reflect better my ever-changing reading habits (for example, Brazilian Non-Fiction since I read a lot of that this year) than just the general ones (Non-Fiction). So this is how we’re doing it this time: this part 1 has my favorite Brazilian reads, part 2 has the more “usual” categories (Science Fiction, Contemporary etc) and part 3 will have whatever other categories I feel like would be cool to highlight (2021 Releases, Translated Classics etc).

This year I’ve read a lot more Brazilian books than usual, which is why I thought it would be nice to have a post just for them. It will be a bilingual post, and on the English section I’ll let you know which books are available in translation.

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Brazilian Classics / Clássicos

[EN] This was such an interesting year for classics – I rediscovered a beloved classic (The Rogue’s Trial / Auto da Compadecida) in audio format, which I had not heard before (brilliant!), and two books for a book club that, although both are classics, they could not be more different: Barren Lives was a slim book, a sober account of a family in the Northeast trying to survive told in a bare-bones writing style, whereas Dona Flor and Her Two Husbands was such a brick of a book, hilarious, vulgar and with wonderful descriptions of food, about a woman who married once following her heart, and later on married again, but following her head this time. All three books are available in English translation, although I think The Rogue’s Trial is actually quite hard to get.

[PT] Este foi um ano excelente para clássicos brasileiros! Redescobri um favorito (Auto da Compadecida) em áudio com elenco completo, o que foi uma experiência incrível e me fez me apaixonar de novo por este livro. Dona Flor e Seus Dois Maridos e Vidas Secas peguei com um clube de leitura e foram dois livros excelentes que não poderiam ser mais diferentes! O primeiro é um tijolo de 600 páginas, hilário, vulgar e super interessante, e o segundo tem menos de 200 páginas e é mais sóbrio e com escrita direta sem floreios. Ambos excelentes!

Vidas Secas por Graciliano Ramos

Vidas secas, lançado originalmente em 1938, é o romance em que mestre Graciliano — tão meticuloso que chegava a comparecer à gráfica no momento em que o livro entrava no prelo, para checar se a revisão não haveria interferido em seu texto — alcança o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa. O que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro.

Apesar desse sentimento de transbordante solidariedade e compaixão com que a narrativa acompanha a miúda saga do vaqueiro Fabiano e sua gente, o autor contou: Procurei auscultar a alma do ser rude e quase primitivo que mora na zona mais recuada do sertão… os meus personagens são quase selvagens… pesquisa que os escritores regionalistas não fazem e nem mesmo podem fazer …porque comumente não são familiares com o ambiente que descrevem…Fiz o livrinho sem paisagens, sem diálogos. E sem amor. A minha gente, quase muda, vive numa casa velha de fazenda. As pessoas adultas, preocupadas com o estômago, não tem tempo de abraçar-se. Até a cachorra [Baleia] é uma criatura decente, porque na vizinhança não existem galãs caninos.

Dona Flor e os seus dois maridos por Jorge Amado

Um dos romances mais populares de Jorge Amado, levado com êxito ao cinema, ao teatro e à televisão, Dona Flor e seus dois maridos conta a história de Florípedes Paiva, que conhece em seus dois casamentos a dupla face do amor: com o boêmio Vadinho, Flor vive a paixão avassaladora, o erotismo febril, o ciúme que corrói. Com o farmacêutico Teodoro, com quem se casa depois da morte do primeiro marido, encontra a paz doméstica, a segurança material, o amor metódico.

Um dia, porém, Vadinho retorna sob a forma de um fantasma capaz de proporcionar de novo à protagonista o êxtase dos embates eróticos. Por obra da fantasia literária de Jorge Amado e da intervenção das entidades do candomblé, Flor consegue conciliar no amor o fogo e a calmaria, a aventura e a segurança, a paixão e a gentileza.

Lançada em 1966, esta narrativa ousada e exuberante, plena de humor e ironia, é uma saborosa crônica de costumes da Bahia da primeira metade do século XX e um retrato inventivo das ambigüidades que marcam o Brasil.

Auto da Compadecida por Ariano Suassuna

O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel.

Brazilian Non-Fiction / Não-Ficção

[EN] Gosh this was a difficult one! I actually read a bunch of nonfiction this year and I liked all of it. So I chose the books that left the strongest impression on me. Two of these books are available in English translation: 1808 is a history book about the Portuguese Royal family escaping Napoleon and going to Brazil, and the Santos Dumont book is an autobiography of this brilliant inventor. The third book, Narrativas Negras, is an incredible collection of biographies about Black Brazilian women and it blew me away.

[PT] Essa foi uma categoria que foi mais difícil de decidir do que eu esperava! Normalmente não leio muita não-ficção, mas este ano eu peguei vários livros e gostei de todos – então para esta categoria eu escolhi os 3 que deixaram a impressão mais duradoura em mim. 1808 foi uma re-leitura que eu gostei mais desta vez do que dois anos atrás, quando eu li pela primeira vez. Essa parta da história do Brasil eu acho super interessante porque é tão cheia de fofoca e drama. Narrativas Negras foi uma coletânea incrível de biografias de mulheres negras, ressaltando a importância delas na história do Brasil. Um livro que certamente vou reler (aliás, escutei este no Scribd). Por fim O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos foi um que quase não entrou nesta lista porque tinha mais dois livros de poesia que eu pensei em incluir aqui, mas quanto mais eu reflito, mais percebo que este foi o que me marcou mais – a história de Santos Dumont é algo que aprendemos desde cedo na escola mas esta autobiografia conta a vida do inventor de uma forma que fez minha admiração crescer ainda mais.

1808 by Laurentino Gomes

Considerada por muitos historiadores como a mais importante decisão tomada pelo príncipe regente e futuro rei Dom João VI durante os treze anos de permanência da corte portuguesa no Rio de Janeiro, a efetivação do Reino Unido colocou um ponto final no período colonial brasileiro e deu início de fato ao processo de Independência do país. “A criação do Reino Unido foi decidida em meados de 2014 no Congresso de Viena, que reuniu na Áustria as potências vencedoras de Napoleão”, explica Laurentino Gomes. “Foi uma decisão tomada praticamente à revelia da corte portuguesa no Rio de Janeiro e anunciada na Europa muito antes de que os próprios brasileiros e portugueses tomassem conhecimento dela.”

Lançado originalmente na Bienal do Rio de Janeiro de 2007, 1808 permanece há sete anos consecutivos na lista dos livros mais vendidos, um recorde no mercado editorial brasileiro na categoria não-ficção. Publicado em português e inglês, atualmente suas edições internacionais estão disponíveis em mais de vinte países, incluindo Portugal, Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, Índia e África do Sul. Sua versão estrangeira mais recente chegou ao mercado norte-americano em setembro do ano passado com o título 1808: The Flight of the Emperor, pela editora Lyons Press, de Connecticut.

Narrativas Negras: biografias ilustradas de mulheres pretas brasileiras by Coletivo Narrativas Negras

Quem são as mulheres negras brasileiras que nos inspiram na atualidade? Elas tiveram referências negras no passado ou se sentiam representadas? Essas foram as perguntas de partida desta obra, que nasceu da escassez de conteúdos confiáveis sobre a história e a representatividade da mulher negra brasileira. Pensamos que compreender e conhecer nossas ancestralidades é de fundamental importância para mudar e construir um novo futuro, com mais força e identidade.

O livro Narrativas Negras nasceu da vontade de levar a história de mulheres negras brasileiras – que transformaram o rumo histórico do Brasil – até meninas e mulheres negras, que transformarão o amanhã do nosso país. Hoje, reconhecemos os apagamentos históricos sofridos pela comunidade negra feminina, que lutou e ainda luta de maneira ativa para a construção de uma sociedade mais justa.

“O que este livro nos permite compreender é que a vida das mulheres negras aqui selecionadas são vidas de amor e de revolução, inscritas na reivindicação de afirmarmos que, para além de resistirmos, EXISTIMOS e amamos.” — Cátia Maringolo, educadora social e doutoranda

Dessas mulheres, as representadas nesta obra são aquelas que não tiveram suas histórias contadas, ou mesmo que o tiveram, mas de forma questionável, sendo lembradas apenas em novembro, no Dia da Consciência Negra, ou em outras datas “especiais”. Já a seleção das personalidades femininas negras contemporâneas foi feita a partir de uma pesquisa quantitativa e qualitativa, com resultados que nos possibilitaram listar as personalidades que mais representam e são lembradas atualmente pela comunidade.

O que eu vi, o que nós veremos by Alberto Santos-Dumont

Nascido há 127 anos (em 1873), Dumont se suicidaria, aos 59 anos, em 1932, enforcado em um hotel no Guarujá. Não é efeméride, mas sua “autobiografia” — na verdade, um relato de seus feitos — ganha nova edição com imagens escolhidas pelo sobrinho-bisneto, Marcos Villares Filho. Contada pelo próprio, a aventura de Dumont mostra-se fascinante. Filho de rico cafeicultor do interior paulista, é mandado pelo pai a Paris para se dedicar às pesquisas sobre o motor capaz de manter uma máquina em pleno ar.

Brazilian Fiction / Ficção

[EN] Brazilian fiction blew my mind this year! I read the English translation of The Invisible Life of Euridice Gusmao, so do pick up this hilarious and touching story about family, women and independency. The other two books are also fantastic, and I’m hoping they’ll get translations too: Tupinilândia is probably my favorite of this list, a story about the dictatorship, a madman’s dream of an entertainment park, nationalism and adventure. Very cool. O Avesso da Pele is an incredible contemporary about a young man reflecting on his family’s history after the death of his father, and how racism and a failed educational system affected generations.

[PT] Este foi o ano em que me apaixonei novamente por literatura brasileira. Li tantos livros excelentes de vários gêneros diferentes – aventura, drama familiar histórico, contemporâneo. Tupinilândia iniciou este ano com um BANG, um livro tão incrível que já obriguei um monte de gente a ler também. Aventura, nacionalismo, parte romance histórico, parte contemporâneo, foi certamente uma das leituras mais marcantes do ano para mim. A Vida Invisível de Eurídice Gusmão eu peguei em inglês porque estava incluso na minha conta do Scribd e achei divertidíssimo! Sendo um romance histórico sobre drama familiar, o papel da mulher e duas irmãs em busca de independência, achei que ia ser um tanto depressivo mas não; foi um livro que me fez me emocionar, rir, rir mais um pouco… muito bom! O Avesso da Pele me mostrou o impacto que a literatura contemporânea pode ter – um livro introspectivo sobre um rapaz refletindo sobre a história de sua família após a morte de seu pai, a influência do racismo e de um sistema de educação falho em geração após geração.

Tupinilândia por Samir Machado de Machado

O autor vira de ponta-cabeça os clichês dos romances de aventura e ação, e reflete sobre temas como nostalgia, memória e nacionalismo. No início dos anos 1980, com o Brasil rumando para a abertura política, um industrialista constrói em segredo um parque de diversões. Batizado de Tupinilândia, o parque funcionaria como uma celebração do nacionalismo e da nova democracia que se aproximava. Todavia, durante um fim de semana em que se testavam as operações do parque, um grupo de militares invade o lugar e faz funcionários e visitantes de reféns. Duas décadas depois, um arqueólogo especialista em nostalgia, e desde a infância obcecado pelo mito de Tupinilândia, recebe autorização para mapear o local, que está prestes a ser alagado pela hidrelétrica de Belo Monte. Ao chegar com sua equipe, descobre um terrível segredo, e a partir daí as duas pontas do romance se unem numa aventura literária pelo passado recente do Brasil e pela memória dos anos 1980.

The Invisible Life of Euridice Gusmao by Martha Batalha, translated by Eric M.B. Becker

Euridice is young, beautiful and ambitious, but when her rebellious sister Guida elopes, she sets her own aspirations aside and vows to settle down as a model wife and daughter. And yet as her husband’s professional success grows, so does Euridice’s feeling of restlessness. She embarks on a series of secret projects – from creating recipe books to becoming the most sought-after seamstress in town – but each is doomed to failure. Her tradition-loving husband is not interested in an independent wife. And then one day Guida appears at the door with her young son and a terrible story of hardship and abandonment.

The Invisible Life of Euridice Gusmão is a wildly inventive, wickedly funny and keenly observed tale of two sisters who, surrounded by a cast of unforgettable characters, assert their independence and courageously carve a path of their own in 1940s Rio de Janeiro. A deeply human and truly unforgettable novel from one of the most exciting new voices in world literature.

O Avesso da Pele por Jeferson Tenório

Um romance sobre identidade e as complexas relações raciais, sobre violência e negritude, O avesso da pele é uma obra contundente no panorama da nova ficção literária brasileira.

O avesso da pele é a história de Pedro, que, após a morte do pai, assassinado numa desastrosa abordagem policial, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Com uma narrativa sensível e por vezes brutal, Jeferson Tenório traz à superfície um país marcado pelo racismo e por um sistema educacional falido, e um denso relato sobre as relações entre pais e filhos.
O que está em jogo é a vida de um homem abalado pelas inevitáveis fraturas existenciais da sua condição de negro em um país racista, um processo de dor, de acerto de contas, mas também de redenção, superação e liberdade. Com habilidade incomum para conceber e estruturar personagens e de lidar com as complexidades e pequenas tragédias das relações familiares, Jeferson Tenório se consolida como uma das vozes mais potentes e estilisticamente corajosas da literatura brasileira contemporânea.

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What were your favorite reads this year? Parts 2 and 3 will be coming soon!

4 thoughts on “The Best Books I Read in 2021 – Part 1: Brazilian Books

  1. Pingback: The Best Books I Read in 2021 – Part 2: By Genre | Naty's Bookshelf

  2. Pingback: The Best Books I Read in 2021 – Part 3: Other Categories | Naty's Bookshelf

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